quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

A hora de ir embora

Perdi a habilidade de ter a voz clara. Aquela voz que te avisa que tá na hora de ir embora.

Eu tenho ficado triste. Toda vez que vou até lá, volto triste.
Chorando calada no ônibus.
Eu não reconheço ninguém. Sinto que ninguém me vê, também.

Não pertenço mais.

Eu tô avulsa deles. E dessa forma me sinto avulsa de mim mesma.
Talvez isso seja o mais riste.
Se é só carência, infantilidade. Que seja, mas que entenda. Enxergue, pra poder ir embora.

Tá doendo, como criança.
E então, quando vou pegar minha menina no colo?

Acho que tá na hora. Já estou sozinha deles faz um tempo. Criar coragem para me dar o espaço que sinto que mereço.
Eu digo isso para mim. Eu me dou permissão.
Ainda são só palavras.

Man, passô da hora.
Bora convir comigo mesma. Que já tá ficando feio.

Tâ me rasgando inteira, deixando cabocla triste. Bem triste. Cansada de levar paulada. A expressão literal é essa. E já nem quero me contar pra ninguém. Um deixa pra lá de quem já não sabe mais falar sem estar cansada antes de começar.

Marginalizada. Deve ser esse o processo. E dói.
Apartada daquilo que um dia me pertenceu.

Eu quero desabrochar
Quero que a tristeza seja flor depois do inverno.
E que o jardim seja só meu.

Eu quero estrada.
Dentro de mim.











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