2020, fevereiro, segunda quinzena
2019 foi um ano que não acabava. Tanta coisa que acaba parecendo que a rotina de cair barrancos era o que era pra esperar.
Eu tenho várias feridas abertas. dores que não pude parar pra ver. A roda foi empurrando, levanta, fique aflita fazendo nada, continue. Olha lá a pancada, mais uma vez. Respira, aguenta, respira, levanta.
Sinto um pacote gigante nas costas, nos ombros, engasgando a garganta no meio do dia.
Tentei deixar o ano lá, no ano passado. Tô cansada de colecionar machucados e superações.
Tô cansada. Tô exausta.
De não saber para onde ir ou o que fazer e ficar decidindo e improvisando tudo a toque de caixa.
Gastar a vida planejando coisas que nunca vou fazer.
Tenho tido crises que não estão legais. Crises de ansiedade que estão me deixando alarmada. Crise de pânico.
Ontem maltratei outro rapaz que estava gostando de ficar comigo.
Pedi pra que fosse embora, mais uma vez. Fiquei sufocada, desesperada. Era como se a comunicação não existisse e estivesse forçando, empurrando, dando conta da psique da relação por duas pessoas. Sinto que ele não me ouve nem me vê. Vê os desejos e expectativas do que acredita que eu seja.
Cansada dos homens, e me sinto triste por isso. Cansada de enxergar pesos que só quem carrega conhece. A distância entre a maternidade ideal e aquilo que vivo. Nostalgia do tempo que minha liberdade era mais próxima da masculina.
Afim de dar um tempo, até parar de comparar, até ter minha vida em harmonia.
Hoje percebi como estar sozinha é um lugar comum a mim, desde sempre, da infância, adolescência, depois do tempo da Luisa, minha juventude. Eu caminhando. Sozinha. Convivendo com a solidão. Até aprender a usá-la a meu favor.
Talvez goste mais disso do que quero admitir.
Saudade de ter a vista clara sobre os caminhos e os passos. Aquela voz forte do coração onde a certeza era cativa e sem palavras. Apenas um afago bom no peito, um grito certeiro que ia que nem flecha.
Hoje tenho a sensação de alguém sentado no meu peito.
domingo, 16 de fevereiro de 2020
Pensando sobre ansiedade
E o tentar controlar a mesma.
Ora, estamos neste caso a tentar controlar a sensação de falta de controle generalizado das coisas.
É pedir ao cérebro que falha na sua reação natural de tentar vencer. O desespero e a angustia que aperta o peito sem motivo é a forma que ele encontra de bugar o sistema e ver se do caos garante a sobrevivência.
Qualquer resultado obtido nessa ideia de controle já está errado na sua origem e em seu propósito, é um frasco de frustração. Controlar o descontrole é um contra senso. Compreendê-lo é mais inteligente.
O desespero então é meu amigo. Eu possuo, assumo e aceito. E vejo que não é nada demais. Desencanada, consigo caminhar pelos corredores escuros. Consciente, não me assusto com os vultos nem com as sombras. O medo é meu objetivo. O peito acelerado se acalma.
Pra entender porque meu cérebro abre a torneira da adrenalina no meio do dia. Sem culpá-lo. Tô afim de entender, sentir e conceber.
O desapego.
Mas antes, precisamos falar sobre o medo.
E o tentar controlar a mesma.
Ora, estamos neste caso a tentar controlar a sensação de falta de controle generalizado das coisas.
É pedir ao cérebro que falha na sua reação natural de tentar vencer. O desespero e a angustia que aperta o peito sem motivo é a forma que ele encontra de bugar o sistema e ver se do caos garante a sobrevivência.
Qualquer resultado obtido nessa ideia de controle já está errado na sua origem e em seu propósito, é um frasco de frustração. Controlar o descontrole é um contra senso. Compreendê-lo é mais inteligente.
O desespero então é meu amigo. Eu possuo, assumo e aceito. E vejo que não é nada demais. Desencanada, consigo caminhar pelos corredores escuros. Consciente, não me assusto com os vultos nem com as sombras. O medo é meu objetivo. O peito acelerado se acalma.
Pra entender porque meu cérebro abre a torneira da adrenalina no meio do dia. Sem culpá-lo. Tô afim de entender, sentir e conceber.
O desapego.
Mas antes, precisamos falar sobre o medo.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2019
Soul Parsifal - Legião Urbana
Ninguém vai me dizer o que sentir
Meu coração está desperto
É sereno nosso amor e santo este lugar
Dos tempos de tristeza tive o tanto que era bom
Eu tive o teu veneno
E o sopro leve do luar
Porque foi calma a tempestade
E tua lembrança, a estrela a me guiar
Da alfazema fiz um bordado
Vem, meu amor, é hora de acordar
Tenho anis
Tenho hortelã
Tenho um cesto de flores
Eu tenho um jardim e uma canção
Vivo feliz, tenho amor
Eu tenho um desejo e um coração
Tenho coragem e sei quem eu sou
Eu tenho um segredo e uma oração
Vê que a minha força é quase santa
Como foi santo o meu penar
Pecado é provocar desejo
E depois renunciar
Estive cansado
Meu orgulho me deixou cansado
Meu egoísmo me deixou cansado
Minha vaidade me deixou cansado
Não falo pelos outros
Só falo por mim
Ninguém vai me dizer o que sentir
Tenho jasmim tenho hortelã
Eu tenho um anjo, eu tenho uma irmã
Com a saudade teci uma prece
E preparei erva-cidreira no café da manhã
Ninguém vai me dizer o que sentir
E eu vou cantar uma canção pra mim..
A hora de ir embora
Perdi a habilidade de ter a voz clara. Aquela voz que te avisa que tá na hora de ir embora.
Eu tenho ficado triste. Toda vez que vou até lá, volto triste.
Chorando calada no ônibus.
Eu não reconheço ninguém. Sinto que ninguém me vê, também.
Não pertenço mais.
Eu tô avulsa deles. E dessa forma me sinto avulsa de mim mesma.
Talvez isso seja o mais riste.
Se é só carência, infantilidade. Que seja, mas que entenda. Enxergue, pra poder ir embora.
Tá doendo, como criança.
E então, quando vou pegar minha menina no colo?
Acho que tá na hora. Já estou sozinha deles faz um tempo. Criar coragem para me dar o espaço que sinto que mereço.
Eu digo isso para mim. Eu me dou permissão.
Ainda são só palavras.
Man, passô da hora.
Bora convir comigo mesma. Que já tá ficando feio.
Tâ me rasgando inteira, deixando cabocla triste. Bem triste. Cansada de levar paulada. A expressão literal é essa. E já nem quero me contar pra ninguém. Um deixa pra lá de quem já não sabe mais falar sem estar cansada antes de começar.
Marginalizada. Deve ser esse o processo. E dói.
Apartada daquilo que um dia me pertenceu.
Eu quero desabrochar
Quero que a tristeza seja flor depois do inverno.
E que o jardim seja só meu.
Eu quero estrada.
Dentro de mim.
Eu tenho ficado triste. Toda vez que vou até lá, volto triste.
Chorando calada no ônibus.
Eu não reconheço ninguém. Sinto que ninguém me vê, também.
Não pertenço mais.
Eu tô avulsa deles. E dessa forma me sinto avulsa de mim mesma.
Talvez isso seja o mais riste.
Se é só carência, infantilidade. Que seja, mas que entenda. Enxergue, pra poder ir embora.
Tá doendo, como criança.
E então, quando vou pegar minha menina no colo?
Acho que tá na hora. Já estou sozinha deles faz um tempo. Criar coragem para me dar o espaço que sinto que mereço.
Eu digo isso para mim. Eu me dou permissão.
Ainda são só palavras.
Man, passô da hora.
Bora convir comigo mesma. Que já tá ficando feio.
Tâ me rasgando inteira, deixando cabocla triste. Bem triste. Cansada de levar paulada. A expressão literal é essa. E já nem quero me contar pra ninguém. Um deixa pra lá de quem já não sabe mais falar sem estar cansada antes de começar.
Marginalizada. Deve ser esse o processo. E dói.
Apartada daquilo que um dia me pertenceu.
Eu quero desabrochar
Quero que a tristeza seja flor depois do inverno.
E que o jardim seja só meu.
Eu quero estrada.
Dentro de mim.
segunda-feira, 17 de setembro de 2018
"A minha mãe que me ensinou, a minha mãe que me falou. Eu sou filho de vós, eu devo ter Amor. Com Amor tudo é Verdade, com Amor tudo é Certeza. Eu Vivo nesse Mundo, Sou dono da Riqueza"
Se ficar um pra trás, o Portal não abre.
Ou vai todo mundo da Nave, ou não vai ninguém.
Papai falou que tá na hora da gente se resolver.
Eu acho que a missão na verdade é essa, e a real Integração do despertar. Não é a luta do bem contra o mal. é vivenciar o caminho do meio. É nos entendermos quanto humanidade. E compreender que não existe eles e eu, nós, no fim, é uma bagaça só. Uno, Todo, Tudo.
Abraçar ao outro é abraçar a mim, e aprender a parar de julgar, mas rapáz, batalha, voz que não cala a boca. Labuta boa quando vem vindo silêncio. Vamos na fé, vamos em frente, andar e manter o ritmo, estrada e caminho no pé.
Dá-me licença pra acessar.
Dá-me clareza pra ver
Da-me humildade pra calar e aprender
Dá-me presente nessa vida, oportunidade de viver.
"Eu pedi ao meu mestre que me dê mta coragem
Para seguir meu caminho
E completar minha viagem"
Peço permissão pra sempre conseguir ouvir meu coração
Que a tristeza não seja morada
Que floresça em amor a libertação das amarras do medo e privação
A abundancia nos é permitida.
Acessamos. Juntos
Assim é. Assim está feito.
Ou vai todo mundo da Nave, ou não vai ninguém.
Papai falou que tá na hora da gente se resolver.
Eu acho que a missão na verdade é essa, e a real Integração do despertar. Não é a luta do bem contra o mal. é vivenciar o caminho do meio. É nos entendermos quanto humanidade. E compreender que não existe eles e eu, nós, no fim, é uma bagaça só. Uno, Todo, Tudo.
Abraçar ao outro é abraçar a mim, e aprender a parar de julgar, mas rapáz, batalha, voz que não cala a boca. Labuta boa quando vem vindo silêncio. Vamos na fé, vamos em frente, andar e manter o ritmo, estrada e caminho no pé.
Dá-me licença pra acessar.
Dá-me clareza pra ver
Da-me humildade pra calar e aprender
Dá-me presente nessa vida, oportunidade de viver.
"Eu pedi ao meu mestre que me dê mta coragem
Para seguir meu caminho
E completar minha viagem"
Peço permissão pra sempre conseguir ouvir meu coração
Que a tristeza não seja morada
Que floresça em amor a libertação das amarras do medo e privação
A abundancia nos é permitida.
Acessamos. Juntos
Assim é. Assim está feito.
segunda-feira, 3 de setembro de 2018
Entregar, integrar e dissolver
Agora, grudada na cadeira, assistindo a manhã passar, se
estende já pela sua metade, o sol esquenta. O cigarro, o incenso, a tosse, o
vazio e o café. Mãos suam, pés suam, coração por nada dispara. Alimento-me de
brisa, de frequência, relaxo a orbita dos olhos pra encaixar a visão.
A música clássica é feita pano, tecido, rede que mergulho.
Sinto cada instrumento ao mesmo tempo que sinto o todo. É igualzinho a vida. É
por inteira que me toca, aquieta a mente, limpa que nem olhar o mar.
O menino mexeu comigo. Eu gostei dele. Gostei do toque, me
fez sentir em casa, ele é leve e macio, delicia delicia delicia. Nem tenho vontade de explicar, me deixa de boca cheia pra falar dele, com vontade
de mais, com vontade de ser tudo que der. Com vontade de ir com calma.
A vida faz a gente ficar babaca, ter medo de tudo, da
rejeição, de levar o tombo de novo, pq dói pra cacete machucar o coração, ter seu chão destroçado, perder o ar.
Dói. Quando a gente olha pra frente e vê que não tem mais aquele
sonho colorido e mágico pendurado na parede. É como perder uma janela, uma
saída onde a alma encontrava um canto pra ficar em paz e ser de verdade num mundo de mentiras. Romper a certeza que tinha que estaríamos sempre um ao lado do outro é romper uma parte enorme
de mim, uma eu que construí enquanto sorria, enquanto me sentia em casa e convencia-me que podia me entregar, pq dessa vez era de verdade.
E era, foi e é. Entendo isso, aceito o crescimento, maior
preocupação é manter que continue sendo feito de coração, um lugar pra rever
meu ego, para encontrar novas formas de integrar as dificuldades, de enxergar a
beleza no que é presente. Continuo sendo a mesma que um dia segurou sua mão, e hoje levanta forte, segura e comigo mesma. Feliz por ter vivido o que existiu e por aceitar o que vem pela frente.
Vivo um grande amor feito de sonhos e presentes. Continuuum.
Agradeço por tudo que a vida tem a me oferecer, peço clareza
pra saber observar.
Que de amor seja feito meu ato.
Assim é, assim está feito.
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Como faço para me conter?
Quais são as leis das barragens e resistência.
Se a cada enchente o chão fica mais enlamado e podre
Já não há que valha a pena, o caso é a causa, por mais exagerada não impede a ferida de existir.
Passada do ponto, fora do prumo, descompensada e irracional.
À deriva em um mar de emoções físicas, que me consomem, amolecem, me enfraquecem.
O que dói é escorregar, tá o tempo inteiro com a cara e a bunda sujas, vergonha de ser tão pequenina.
Pra piorar, tô saindo correndo, pq o medo de consolidar essa imagem desgastada de algo que deveria ser leve, pede que arregue, que pondere, que preserve. Que vá embora.
E ele, tão sereno e encontrado, diz que tudo bem, então que vá e veja se fica melhor.
De ser tão perdida?
Queria casar, sonhar, ele diz que um dia, quando achar que estamos prontos.
Eu não sei esperar assim. Não cresci esse tantão.
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