quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

 Vem nimim vida. 

Nada de nada em nada que tiraram de mim

Liberada da quimioterapia


Sensação de levantar de um sono profundo

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

À caminho do hospital


Hoje é o dia que farei a cirurgia que vai mudar meu corpo pra sempre. 

Algo que eu nunca tinha pensado, e que pra ser sincera sinto que não pensei o suficiente tb. 

Retirar meu útero e o ovário que ficou, encerrar meu processo hormonal, alterar o fluxo do meu corpo, do meu orgânico, da minha forma de conhecer o meu sentir até agora. 

Esses últimos dias até estava lembrando, acho que em alguns momentos a minha vida eu devo ter sentido pena de mulheres que tiveram historias parecidas com essa. E foi ai que me liguei que ainda é uma historia de outra pessoa, foi como uma bigorna caindo em mim quando realizei que hoje eu sou a história daquelas mulheres por quem senti pena. 

E lá vou eu, Morrendo de medo de tudo. Com raiva e medo pra caralho. 

Agora terei que tomar remédios todos os dias. Precisarei deles para ter o meu equilíbrio. 


Não terei meu fluxo, não terei meu momento do mês que perceberei estar mais safada, mais atenta, mais reflexiva, mais impulsiva, mais interna e mais externa. 
Como eu farei pra falar com meu corpo agora?
Como eu farei pra ouvir o meu corpo, agora?

A real que estou muito triste e com muito medo. 


E o lado bom?

O lado bom vai ser se não tiver nascido nada nos órgãos e nos linfonodos e então, confirmar isso. Ter a chance de evitar a quimioterapia Seguir com o pensamento mais tranquilo de que pelo menos o corpo não terá mais que refazer células uterinas e ovarianas e assim mitigar o risco de propensão que já tenho de replicar células cancerígenas. 

A real é essa. Isso é um tratamento de câncer e a única coisa que me resta é compreender e aceitar. 

Minha deusa, jovem, mãe, anciã.
Segurem minha mão, estejam comigo, estejam em mim. 
 





sábado, 25 de dezembro de 2021

Natal

 Faz um pouco mais de um mês que fui diagnosticada com cancer de ovario. 

Retiraram o tumor inteiro e estou no processo de cirurgia e investigações para saber se está espalhado em algum outro local do meu corpo ou se foi retirado tudo que havia para ser tirado. 

Não me aproximei mais de Deus, não tive impeto de fazer tudo certo, nem de aproveitar cada segundo. Estou longe e fugindo da minha filha. Me sinto com cheiro de morte.  

Tenho apenas uma raiva mto grande.

As pessoas ao meu redor  e não intimas não sabem, não quis contar. Estou me prevenindo dos comentarios e dos "mas tb" que as pessoas descuidadosamente soltam.

Uma amiga veio com o papo "ah, mas cancer é mágoa". Vai pra porra, minha amiga. E não diga mais isso a uma pessoa que está com cancer. Respeito que seja sua forma de ver, sua opinião, mas numa situação assim, guarde ela pra vc. 

Enquanto isso sou tomada por medos, medo de desmoronar como um castelo de areia atacado pela maré alta. 

Medo da vesicula com calculo estourar e atrapalhar o cronograma dos médicos, medo da tomografia esquisita, medo da cirurgia de risco que terei que fazer, medo de não conseguir mais entender os sinais do meu corpo. 

Medo de não me importar mais com nada disso





sábado, 20 de março de 2021

Março/2021 - 1 Ano de Pandemia

 Arrisco em dizer que até agora tinha conseguido segurar as pontas do cabeção. 

Fiz muita bosta em 2020 mas não tanto pelo impacto da pandemia nos meus pensamentos. Foi apenas eu tentando acertar depois de cagar, uma após a outra nos anos anteriores. 

Agora, que já não devo a alma pela mentira da estabilidade que eu vivia, deixo que caia em mim o peso de todas as toneladas do mundo dessa tão fatídica pandemia do Sec. XXI ( Que minha avó não me ouça e não me lembre como é ouvir diariamente torpedos e serenes avisando sobre bombardeios na cidade)

Está desesperador. Angústia, medo, terror já não são mais palavras que descrevem. Não sei se é melhor ou pior a sensação de assistir essa catástrofe dos camarotes, da sacada do pequeno apartamento da minha mãe, pois as vezes a sensação é de proteção, mas na maioria das vezes é de ilusão. Não estou na rua, não saio daqui deste pequeno quadrado de 60m já faz umas duas semanas. A última saída pela porta foi quinta feira passada para levar o lixo. 

Estou com medo. Muito medo. Não vou mais a padaria, nem ao mercado, nem para minhas caminhadas admirar as flores de meu trajeto favorito. Ah, agora lembrei, sai um dia, terça feira passada, e foi a pior sensação possível. Tive pavor pois não sei onde por as informações que tenho frente ao comportamento tão insano que as pessoas estão se colocando. Deveria ser o terceiro dia em que todo sistema de saúde da cidade já havia colapsado e o cenário que vi nas ruas foram as pessoas circulando, comprando, burlando as regras de fechamento impostas pelo governador, jogando dominó na praça. Cerca de uns 20 senhores, jogando dominó na praça. Todos juntos, animados, vivos. Mas eu não os via vivos. Aquilo era como apenas um flashback, e a realidade eram homens arfando sem socorro, sem chance, empilhando enfermarias e hospitais. Eu os via mortos, Eu os via como a ciência havia que pelo menos uma grande parte deles serão daqui duas semanas. 

Lembrei desta saída pq falei das flores. Lembrei que as trombetas de anjo floresceram novamente. Fiquei curiosa que tenham um ciclo tão rápido e depois agradeci pelo aroma, beleza e força que me passam. Sinto falta delas, mas tenho medo de sair. Talvez seja medo de esquecer tudo que está acontecendo e todo pior que ainda virá e ter que acordar para este pesadelo novamente. 


Medo de deixar minha filha órfã. Medo de ser estatística. Medo de adoecer e mesmo que precisasse de pouco, encontrar o nada para me socorrer. Se a lição dos Deuses era nos mostrar que a ganancia destruirá a gente, eles foram muito bem sucedidos.


Fizemos tudo errado. A corrida não pôde parar, o jogo, disseram eles, precisava continuar. O que estamos criando é apenas uma situação pior que a outra. A vida, agora está mais do que exemplificado, é mero detalhe. Se pudéssemos continuar girando a roda como zumbis, ficaria até mais fácil de entender.

Hoje penso que o ano passado não foi nada perto do que irá acontecer. Foi talvez um preludio, um amaciamento, foi uma anestesia coletiva para o que está verdadeiramente por vir.

Sabe aquele vírus que nos assustava há um anos atrás? Demos todas as oportunidades e assim como um belíssimo sobrevivente de RNA, ele fez o que tinha que fazer: mutações. 

Hoje o vírus é mais transmissível, mais contagiante, atinge tanto pessoas idosas quanto jovens saudáveis, fica no corpo por mais tempo. E o pior talvez seja que na situação que nosso País se encontra isso seja informações excessivas ou irrelevantes, pois se você precisar de hospital para tratar qualquer sintoma que seja, não terá vagas. 

O alucinado que governa o Brasil fez e faz tudo que pode para matar mais e mais pessoas. Impede que os estados tente conter o caos, diz para as pessoas viverem como se nada estivesse acontecendo, não compra vacinas e nem os remédios necessários para que aqueles que tentam sobreviver possam ser intubados. 

Intubados. 


  


domingo, 7 de fevereiro de 2021

O dono dos meus devaneios

 Ele tem dominado minha mente.

Apenas a ilusão do todo que pode ser, do todo que quero ser para ser com você

Me esforço mto, brigo e crio metas mentais para impedir que divague sobre você

Mas não tem dado muito certo. E chega a estar cansativo. 

Penso no que você diria quando eu fizesse tal coisa, em como te contaria tal pensamento, em como seria a disposição dos móveis em nossa casa e como faria jantar esperando seu retorno do trabalho. 

Uma casa ampla, com muita madeira e iluminação amarelada e quente. 

Luminárias sutis, uma cozinha colorida, o quarto das meninas. Uma horta no quintal, e não me encha o saco, quero galinhas tb. 

Eu sou louca. Porque nada disso era pra estar na minha mente. Tudo que tenho é apenas sua atenção de segunda a quinta, as vezes sem a segunda.

Posso dizer de coração tranquilo que pelo menos faço uso da minha sinceridade e não simulo o que te digo. Sou isso mesmo, gato. Desse jeito, dessa loucura de quem tem a mente fértil e tá criando casa com seu avatar.


Sua vida é distante da minha. Sua vida deve ter tantas coisas quanto a minha para se ajeitar, por no lugar, reorganizar. 

E, diferente de mim, vc está com o coração quebrado ainda. E eu respeito isso e desejo imensamente que tenha todo tempo necessário para que o cole, da forma como tiver que ser. 

Meu coração já se quebrou,  e uma vez foi em tantos pedaços que foi preciso duas voltas da Terra ao redor do Sol para que se remendasse. Não serei eu a atropelar o que é tão necessário para que a gente se conheça de forma inteira. Na alegria e na dor. Na dor que também é a gente. E faz com que mesmo não querendo, busquemos o caminho necessário para recomeçar. 

Estou gostando demais de te ter como personagem dos meus devaneios. E com a consciência de que o que forjo são minhas intenções e que você não tem obrigação alguma quanto a elas. 

Eu não sei ainda qual é a casa do seu abraço, apesar de conhecer seu gosto e seu gozo. Eu quero muito conhecer seus sonhos, seus medos. 

Não sei qual o motivo deste encontro casual. Mas cada vez se enraíza mais o devaneio de te ter como parceiro de vida, de sonhos, de lutas e conquistas. 

E quero parar com isso, porque estou me acostumando com esse sonho recorrente. E não quero ter saudade daquilo que nunca tive, não quero a decepção daquilo que nunca que se anunciou, não quero o peso gelado em meu coração de constatar o que meu racional tão ágil sabe desde sempre, que tudo isso está apenas em minha mente. Que sou apenas uma pessoa a te distrair, uma conversa divertida, uma pessoa bagunçada e intensa que serve como entretenimento quando a rotina de segunda a quinta fica meio cinza tal como a cidade. 

Em um dos devaneios, nosso abraço dura. É quente, completo e deixa vontade de fechar os olhos e dormir. Morro de medo de que teu abraço seja casa. Porque ai será mais difícil ainda parar de devanear contigo em minha vida. De desejar. Assim como desejo seu corpo. 






sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

 Hoje meu coração esteve triste. E não por menos o dia também chorou. Cinza, com uma nuvem pesada e que deixava ainda mais oprimida a angustia no peito, choveu como num melancólico dia de outono, em franco Janeiro.  

Ontem foi anunciado ao mundo a situação que Manaus passa pelo colapso do sistema de saúde e funerário por conta do Covid19. As pessoas estão morrendo, aos montes, aos pares, sem misericórdia, sem  a esperança que aja olhar que as veja, sem ar. E já não há novidade nesse cenário. 

Acabou o estoque de oxigênio, a necessidade ultrapassa a capacidade que a empresa que fornece tem de atender.  Não consegue-se mais internações nos hospitais, nem mesmo no chão. Não faz mais diferença estar lá ou não, pois o socorro não é mais um direito que os Amazonenses tenham. Tornou-se uma questão de sorte estar vivo por lá. 

Pessoas estão sendo mandadas de volta pra casa enquanto afogam em si mesmas, presas a infecção que o vírus causa no pulmão. O povo chora, a terra sangra, e também não da conta. Valas comunitárias para que de cabo de toda gente que morre por dia. Uma imagem perturbadora de um terreno grande de se perder de vista, cheio de retângulos com terra revirada e uma cruz azul mais gelada que a mórbida consciência de que tudo isso já torna-se o "novo normal". 

O desespero que deve estar alojado no coração de quem vê a quem ama agonizar e não se ter para onde levar em busca de ajuda. O desespero que deve estar encravado no peito de quem contabiliza as perdas de seus próximos, de sua gente, dia a dia, dezena a dezena. Quantas  redes que estão ficando vazias, sem ninguém para balear enquanto impregnam os lares de ausências e desalentos. 

Hoje meu coração sangrou. 

"Não é medo. É dor" 

Uma angustia que não consegue se dar um nome. O tão contemporâneo que isto é e mesmo assim essa aparência desesperadora de que apesar de horrível, a roda precisa continuar a rodar. 

Um mundo de realidades infinitas parece que impõe a nós abismos que nos distanciam de nossa própria humanidade.  Quando será que torna-se inadmissível demais, o suficiente para retirar-nos dessa busca automática de nossos confortos, psicológicos, físicos e egoístas? 





 



domingo, 5 de abril de 2020

05 de Abril de 2020 - Seguindo em quarentena - 23°dia

Somos a geração da Pandemia.

O vírus continua se espalhando e adoecendo as nações. As pessoas mais idosas são as mais vulneráveis mas temos bastante vítimas de idades menores e sem problemas de saúde anterior.

E hoje Manuzinha acordou com febre. Com a garganta ruim, dizendo que está tonta desde ontem, ficando ligeiramente com a boca branca. Pressão baixa? Será que está contaminada com o vírus?

Medo, que já diminuiu. Choro que já chorei. Ela está bem, disposta na medida que dá, conversando com a amiga pelo celular. E eu pensando na vida, no cigarro. tanta culpa há quanto tempo.

E vamos seguindo no isolamento social, na quarentena. Quem pode, quem compreende...
A perspectiva é que o mês de Abril seja o pico dos casos por aqui. Infelizmente são tantas as mentiras que nosso país está mergulhado que as pessoas ainda não acreditam que o pior acontecerá, há uma grande resistência popular sobre a veracidade da necessidade deste isolamento, quanto a gravidade que o vírus pode causar na saúde da população.

Da última vez que fui ao mercado vi pessoas buscando seguir numa normalidade irreal para quem compreende a dimensão global que é se estar num período de pandemia. E dessa vez, a revolta que costumo sentir pelas pessoas não quererem ver o que a lógica demonstra foi substituída por uma compaixão, ou mesmo um condolência, refletindo o quanto que esse pequenos atos agarrados no medo da mudança possam trazer problemas irreparáveis para eles, para nós, todos.
Sem esquecer que minha filha acordou com febre e garganta ruim.

 As pessoas agarram-se ao passado do ontem que não existe mais. Assim como a luz de uma estrela já morta nos brinda anos depois, corremos atrás dos últimos feixes de luz que permitam nos a ilusão de um presente que existe apenas pela negação da realidade, da mudança e morte do futuro que conhecíamos.

Qual será o cenário no dia 30 deste mesmo mês?











domingo, 29 de março de 2020

Março de 2020 - O mês do Corona Vírus se espalhando pelo mundo

Dia 19 de Março de 2020, quinta-feira.

Diário de bordo da quarentena mundial pela pandemia do Corona Vírus

O Mundo continua se fechando.
Aqui no Brasil, em São Paulo especificamente, as crianças estão sem aula desde segunda - feira pelo sistema público. Sexta - feira, dia 13, já tínhamos a ideia de que isso iria acontecer. E quando rolou, senti o peso do que está por vir.

Como ainda não tinha tido oportunidade de sentir de forma tão forte, é pulsante a importância do Estado, do Público, da compreensão da Unidade. Vivemos um triste e muito preocupante evento mundial, numa era digital e extremamente dinâmica. Nas transferências de dados, nas transmissões de vírus.

Fronteiras fechadas, Países trancado, pessoas sitiadas em suas casas. A China começa a se recuperar do surto, mas ainda tem que conseguir manter o vírus fora de lá, é necessário continuar a contenção e proteção. Hoje foi o primeiro dia sem novos infectados.
Europa está um dos cenários mais tristes desde a segunda guerra. Itália está em calamidade, sem condições de socorrer todos os infectados, escolhendo quem tem a chance de tentar sobreviver, chorando centenas de mortes diárias, de repente, em duas semanas chegaram nessa situação. Espanha já corre para evitar chegar em tal ponto, mas não cedo o necessário para que não colecione seus números de óbitos também. Suíça, Dinamarca, Holanda, Bélgica... Todos correndo contra o tempo, todos clamando para população não sair de casa, não entrar em contato físico.
Comércios, restaurantes, bares. Tudo fechado.
Aeroportos parados, ninguém entra e ninguém sai.

Os EUA começam a iniciar os seus perrengues. Antes de ontem o presidente teve que admitir a gravidade da situação e declarou que está fora de controle no País, declarando ao modo dele, guerra contra o corona vírus.

E nós aqui.
No meio das minhas tempestades pessoais, os problemas individuais, os sonhos e planos, o mundo para.






sábado, 29 de fevereiro de 2020

Acordei às 8 da manhã estranhando o fato do chuveiro estar ligado naquela hora. Era tarde pra ele, que costuma acordar às 6. A não ser que tivesse dormido mais, que a noite tivesse lhe distraído.
Lembrei que tinha ouvido vozes na noite passada, que o coração tinha gelado mas que eu consegui abrandar e escolher não ligar. Dormi bem, gostoso peguei no sono ao lado da Manu, enquanto assistia a um filme. Torci para que desse tudo certo, que o respeito acontecesse e a gente não ouvisse mais nada.

Uma noite de farsa pra disfarçar a minha filha o cansaço que sinto, que estava sentindo. Faz dois dias que não estou legal. Triste além do normal, mais dificil de ver saídas, parece que o cinza do céu decide por pintar minhas paisagens também. Estou cinza.

Um desespero constante faz com que se sentir em alerta seja algo normal. Até que uma hora vc está nisso sem que nada tenha de fato acontecido.
Não sei o que me doí. Mas sei que acordei fora de um prumo, acelerada, com um desespero, vontade de correr de tudo que sou, das cobranças que tenho de mim, da eterna mania de achar que existe uma fórmula certa e que o x da questão é encontrá-la, e aí, puff, tudo daria certo. Quero descobrir de onde vem esse desespero, pra tirar essa angústia e arrancar às unhas de dentro do meu peito.

Existe um peso, um todo que já não aguento. O problema de hoje é fruto do problema de ontem, vivendo a vida não de galho em galho, mas de sufoco em sufoco. Relembrar os dias e noites na república, sem idéia de como a vida se encaixaria, qual casa viveríamos, se daria certo o relacionamento com Gustavo, quais os impactos na Manu, aquela sensação constante de arrependimento por ter aberto minhas guardas e ter deixado tudo ficar contaminado pela presença dele.
De desejar do fundo do coração por ter feito escolhas diferentes, ter me mantido fiel a mim mesma. Sentindo que havia me traído e estava prestes a fazer mais uma besteira para disfarçar um pouco a besteira já feita. E tudo isso, a pequena no meio, flutuando na maré das minhas burradas.


Fechei os olhos e acreditei. Buscava o melhor pra focar, usei, fui utilitária pra conseguir honrar o que já tinha começado sem certeza alguma. Era uma sobrecarga emocional gigante, uma sensação que eu tinha que dar suporte e conta dele ser feliz, para assim poder estar feliz. As perguntas não respondidas, a ideia que tinha que dar certo porque se não desse, seria mais um fracasso pra conta.
Sabia que iria me ferrar, tentei ser forte e achar que daria conta. Mas o desiquilibrio era nítido, a falta de visão das coisas de forma parceira, eramos uma família, mas meus problemas eram meus problemas. O eterno problema de ser mãe e ter que dar conta de me sustentar sem fazer más escolhas pro resto da parada toda. De sair da dependência financeira o mais urgente que pudesse mas sem a mínima ideía de como realizar isso, só não deixe de dar conta de tudo sozinha. Só vai. Senão sua moral não tá com nada. Não adianta o quanto tentar justificar.


O mau humor diário por conta do trabalho, da vida, da saudade da casa dele, a cara de bosta com o passo firme e duro como se ninguém mais existisse. As palavras sempre pesadas, os xingos, o rancor.
Hoje ele diz que a culpa é minha, que eu sou tóxica e deixava ele em depressão. Até aquele papo de querer se matar tb era culpa da minha presença na vida dele.
Isso doeu. Jogou mesmo na lata do lixo toda sinceridade e esforço pra que a gente se entendesse. Nunca houve consideração. Há medo de se fuder e ficar pq não tem saída.


Pois bem, aqui estou. Acordando as 8hrs desesperada pelo rancor e raiva, medo e desespero de ser invadida, de ser supreendida por um gemido na minha orelha e da minha filha. Porque fui eu quem procurei isso.Ainda não tenho a mínima ideia de como, de quando fiz essa escolha... ou sim, no dia que aceitei que ele morasse conosco sem que tivesse ainda a mínima ideia de quem ele era além pro o que eu queria que ele fosse.









domingo, 16 de fevereiro de 2020

2020, fevereiro, segunda quinzena

2019 foi um ano que não acabava. Tanta coisa que acaba parecendo que a rotina de cair barrancos era o que era pra esperar.

Eu tenho várias feridas abertas. dores que não pude parar pra ver. A roda foi empurrando, levanta, fique aflita fazendo nada, continue. Olha lá a pancada, mais uma vez. Respira, aguenta, respira, levanta.
Sinto um pacote gigante nas costas, nos ombros, engasgando a garganta no meio do dia.

Tentei deixar o ano lá, no ano passado. Tô cansada de colecionar machucados e superações.
Tô cansada. Tô exausta.
De não saber para onde ir ou o que fazer e ficar decidindo e improvisando tudo a toque de caixa.
Gastar a vida planejando coisas que nunca vou fazer.

Tenho tido crises que não estão legais. Crises de ansiedade que estão me deixando alarmada. Crise de pânico.
Ontem maltratei outro rapaz que estava gostando de ficar comigo.
Pedi pra que fosse embora, mais uma vez. Fiquei sufocada, desesperada. Era como se a comunicação não existisse e estivesse forçando, empurrando, dando conta da psique da relação por duas pessoas. Sinto que ele não me ouve nem me vê. Vê os desejos e expectativas do que acredita que eu seja.

Cansada dos homens, e me sinto triste por isso. Cansada de enxergar pesos que só quem carrega conhece. A distância entre a maternidade ideal e aquilo que vivo. Nostalgia do tempo que minha liberdade era mais próxima da masculina.

Afim de dar um tempo, até parar de comparar, até ter minha vida em harmonia.

Hoje percebi como estar sozinha é um lugar comum a mim, desde sempre, da infância, adolescência, depois do tempo da Luisa, minha juventude. Eu caminhando. Sozinha. Convivendo com a solidão. Até aprender a usá-la a meu favor.
Talvez goste mais disso do que quero admitir.
Saudade de ter a vista clara sobre os caminhos e os passos. Aquela voz forte do coração onde a certeza era cativa e sem palavras. Apenas um afago bom no peito, um grito certeiro que ia que nem flecha.

Hoje tenho a sensação de alguém sentado no meu peito.











Pensando sobre ansiedade
E o tentar controlar a mesma.

Ora, estamos neste caso a tentar controlar a sensação de falta de controle generalizado das coisas.
É pedir ao cérebro que falha na sua reação natural de tentar vencer. O desespero e a angustia que aperta o peito sem motivo é a forma que ele encontra de bugar o sistema e ver se do caos garante a sobrevivência.

Qualquer resultado obtido nessa ideia de controle já está errado na sua origem e em seu propósito, é um frasco de frustração. Controlar o descontrole é um contra senso. Compreendê-lo é mais inteligente.

O desespero então é meu amigo. Eu possuo, assumo e aceito. E vejo que não é nada demais. Desencanada, consigo caminhar pelos corredores escuros. Consciente, não me assusto com os vultos nem com as sombras. O medo é meu objetivo. O peito acelerado se acalma.
Pra entender porque meu cérebro abre a torneira da adrenalina no meio do dia. Sem culpá-lo. Tô afim de entender, sentir e conceber.





O desapego.

Mas antes, precisamos falar sobre o medo.


quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Soul Parsifal - Legião Urbana Ninguém vai me dizer o que sentir Meu coração está desperto É sereno nosso amor e santo este lugar Dos tempos de tristeza tive o tanto que era bom Eu tive o teu veneno E o sopro leve do luar Porque foi calma a tempestade E tua lembrança, a estrela a me guiar Da alfazema fiz um bordado Vem, meu amor, é hora de acordar Tenho anis Tenho hortelã Tenho um cesto de flores Eu tenho um jardim e uma canção Vivo feliz, tenho amor Eu tenho um desejo e um coração Tenho coragem e sei quem eu sou Eu tenho um segredo e uma oração Vê que a minha força é quase santa Como foi santo o meu penar Pecado é provocar desejo E depois renunciar Estive cansado Meu orgulho me deixou cansado Meu egoísmo me deixou cansado Minha vaidade me deixou cansado Não falo pelos outros Só falo por mim Ninguém vai me dizer o que sentir Tenho jasmim tenho hortelã Eu tenho um anjo, eu tenho uma irmã Com a saudade teci uma prece E preparei erva-cidreira no café da manhã Ninguém vai me dizer o que sentir E eu vou cantar uma canção pra mim..








A hora de ir embora

Perdi a habilidade de ter a voz clara. Aquela voz que te avisa que tá na hora de ir embora.

Eu tenho ficado triste. Toda vez que vou até lá, volto triste.
Chorando calada no ônibus.
Eu não reconheço ninguém. Sinto que ninguém me vê, também.

Não pertenço mais.

Eu tô avulsa deles. E dessa forma me sinto avulsa de mim mesma.
Talvez isso seja o mais riste.
Se é só carência, infantilidade. Que seja, mas que entenda. Enxergue, pra poder ir embora.

Tá doendo, como criança.
E então, quando vou pegar minha menina no colo?

Acho que tá na hora. Já estou sozinha deles faz um tempo. Criar coragem para me dar o espaço que sinto que mereço.
Eu digo isso para mim. Eu me dou permissão.
Ainda são só palavras.

Man, passô da hora.
Bora convir comigo mesma. Que já tá ficando feio.

Tâ me rasgando inteira, deixando cabocla triste. Bem triste. Cansada de levar paulada. A expressão literal é essa. E já nem quero me contar pra ninguém. Um deixa pra lá de quem já não sabe mais falar sem estar cansada antes de começar.

Marginalizada. Deve ser esse o processo. E dói.
Apartada daquilo que um dia me pertenceu.

Eu quero desabrochar
Quero que a tristeza seja flor depois do inverno.
E que o jardim seja só meu.

Eu quero estrada.
Dentro de mim.











segunda-feira, 17 de setembro de 2018

"A minha mãe que me ensinou, a minha mãe que me falou. Eu sou filho de vós, eu devo ter Amor. Com Amor tudo é Verdade, com Amor tudo é Certeza. Eu Vivo nesse Mundo, Sou dono da Riqueza"

Se ficar um pra trás, o Portal não abre.
Ou vai todo mundo da Nave, ou não vai ninguém.
Papai falou que tá na hora da gente se resolver.


Eu acho que a missão na verdade é essa, e a real Integração do despertar. Não é a luta do bem contra o mal. é vivenciar o caminho do meio. É nos entendermos quanto humanidade. E compreender que não existe eles e eu, nós, no fim, é uma bagaça só. Uno, Todo, Tudo.
Abraçar ao outro é abraçar a mim, e aprender a parar de julgar, mas rapáz, batalha, voz que não cala a boca. Labuta boa quando vem vindo silêncio. Vamos na fé, vamos em frente, andar e manter o ritmo, estrada e caminho no pé.

Dá-me licença pra acessar.
Dá-me clareza pra ver
Da-me humildade pra calar e aprender
Dá-me presente nessa vida, oportunidade de viver.

"Eu pedi ao meu mestre que me dê mta coragem
 Para seguir meu caminho
 E completar minha viagem"

Peço permissão pra sempre conseguir ouvir meu coração
Que a tristeza não seja morada
Que floresça em amor a libertação das amarras do medo e privação
A abundancia nos é permitida.
Acessamos. Juntos

Assim é. Assim está feito.






segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Entregar, integrar e dissolver


Agora, grudada na cadeira, assistindo a manhã passar, se estende já pela sua metade, o sol esquenta. O cigarro, o incenso, a tosse, o vazio e o café. Mãos suam, pés suam, coração por nada dispara. Alimento-me de brisa, de frequência, relaxo a orbita dos olhos pra encaixar a visão.
A música clássica é feita pano, tecido, rede que mergulho. Sinto cada instrumento ao mesmo tempo que sinto o todo. É igualzinho a vida. É por inteira que me toca, aquieta a mente, limpa que nem olhar o mar.   
O menino mexeu comigo. Eu gostei dele. Gostei do toque, me fez sentir em casa, ele é leve e macio, delicia delicia delicia. Nem tenho vontade de explicar, me deixa de boca cheia pra falar dele, com vontade de mais, com vontade de ser tudo que der. Com vontade de ir com calma.

A vida faz a gente ficar babaca, ter medo de tudo, da rejeição, de levar o tombo de novo, pq dói pra cacete machucar o coração, ter seu chão destroçado, perder o ar.
Dói. Quando a gente olha pra frente e vê que não tem mais aquele sonho colorido e mágico pendurado na parede. É como perder uma janela, uma saída onde a alma encontrava um canto pra ficar em paz e ser de verdade num mundo de mentiras. Romper a certeza que tinha que estaríamos sempre um ao lado do outro é romper uma parte enorme de mim, uma eu que construí enquanto sorria, enquanto me sentia em casa e convencia-me que podia me entregar, pq dessa vez era de verdade.
E era, foi e é. Entendo isso, aceito o crescimento, maior preocupação é manter que continue sendo feito de coração, um lugar pra rever meu ego, para encontrar novas formas de integrar as dificuldades, de enxergar a beleza no que é presente. Continuo sendo a mesma que um dia segurou sua mão, e hoje levanta forte, segura e comigo mesma. Feliz por ter vivido o que existiu e por aceitar o que vem pela frente.

Vivo um grande amor feito de sonhos e presentes. Continuuum.
Agradeço por tudo que a vida tem a me oferecer, peço clareza pra saber observar.
Que de amor seja feito meu ato.

Assim é, assim está feito.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Como faço para me conter?
Quais são as leis das barragens e resistência.
Se a cada enchente o chão fica mais enlamado e podre
Já não há que valha a pena, o caso é a causa, por mais exagerada não impede a ferida de existir.

Passada do ponto, fora do prumo, descompensada e irracional.
À deriva em um mar de emoções físicas, que me consomem, amolecem, me enfraquecem. 

O que dói é escorregar, tá o tempo inteiro com a cara e a bunda sujas, vergonha de ser tão pequenina.
Pra piorar, tô saindo correndo, pq o medo de consolidar essa imagem desgastada de algo que deveria ser leve, pede que arregue, que pondere, que preserve. Que vá embora.

E ele, tão sereno e encontrado, diz que tudo bem, então que vá e veja se fica melhor.

De ser tão perdida?

Queria casar, sonhar, ele diz que um dia, quando achar que estamos prontos.
Eu não sei esperar assim. Não cresci esse tantão. 








quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Ah!
É de rir! Impressionante a certeza de que tudo tá tão certo, mas TÃO certo, que a lição é se entregar. E se integrar! O presente parece que nunca me foi tão tátil.

Tô vendo as cores das emoções, nuvens de energia naquilo que temos construído.
Nosso encontro é perigo gatinho!

Hahahahahahaha!
E de gargalhar de tão óbvio que se dispõe o que a nós ocorre!
E vai, faz parte da tua miséria correr pra não entregar. Entregar para não negar. E tirar o doce da boca quando a gente tiver mais pra lá de encantada!
Tãooooo raro?
Tãooooo caro!






segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

quando um namoro termina

São todos os sons ao mesmo tempo. a cabeça se perde, a audição já é oca, a visão turva.
Um desespero, uma nevoa, miopia.
tantos golpes, gostei da brincadeira, não sabia mais chegar no portão de saída desse parque de diversão tão sádico. Eu já queria estar ali, nos encontrávamos a cada desentendimento, a cada novo rastro de sujeira enfiada embaixo do tapete. Dos meus pés.

Até que eu percebi, vc iria muito mais longe que isso. Até me encurralar na culpa, na tortura, invenções, negações. Manipula-se. Eu sei. Também sou. Por isso fiquei por tanto tempo. Reconheci o jogo e quis ter clemência, mas de quem? Eu quis te perdoar, eu quis te entender, eu quis não te julgar, porque sei ser igualzinha a você. E fui, se bem me entende.

Até onde você achou que eu conseguiria ir?
Eu te implorei pela verdade, sinceridade Meu Companheiro.
Você me negou, o sagrado direito da liberdade. Só a verdade faz voar.
Meus pés tiveram cola, era piche, de insegurança e mentira. Era preto e viscoso, me demorou tempo demais.
TE perdoei quando me perdoei. Fiz do meu errado meu cúmplice e superação. Deu certo e aceitaria o jogo. Mas não vale a pena. Por um beijo eu me livrei de teus pecados.
Não era a sua boca.
E não fez diferença, não lhe importava. Eu te entendo.

Sejamos felizes







terça-feira, 11 de março de 2014

Aceitar. Espero e tento me respeitar, penso em signos, na posição dos planetas,/ busco não lutar e penso se não faz parte das coisas que não tenho controle. Viro bicho além de mim, minha emoção personificação de uma pessoa siamesa, agarrada em atos impulsivos, explosivos, depressivos, inertes. E não sabendo de mais nada vou dormir com a esperança num esquecimento matinal.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Vivo dentro de um labirinto

Minha mente é um grande moinho de idéias e devaneios
que levam ao ar no meio do dia, da hora, de qualquer hora.
Tira assim meus pés do chão e me larga dentro de um furacão.
São loucuras e bagunças, parece a hora de pico de São Paulo.

Tenho um grande desafio
De largar aquilo que sei que não me cabe, não traduz meu Ser.

Parar a mente dessa brincadeira chata de me roubar da vida.
Está tudo no lugar